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Production companies intensify digital exclusive content.

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Formatos curtos como Stories, GIFs e micro-videos para redes sociais muitas vezes são vistos como subprodutos de grandes campanhas, principalmente em um contexto em que a TV absorve a maior parte dos investimentos publicitários no Brasil – o equivalente a 53% do bolo, de acordo com os resultados da Kantar Ibope Media relativo a 2017.

Algumas produtoras, neste contexto, desafiam o modelo consolidado pelo mercado e se dedicam primordialmente a formatos exclusivos para o digital, que pulam a janela da TV. A cultura “Always On”, consolidada em agências de social e em produtoras especializadas em outros mercados do mundo, começa a chegar também às produtoras brasileiras, motivada pela busca de marcas por formatos mais “perecíveis” e condizentes com a linguagem das redes.

astidores de produção da Broders, cujo modelo de negócios é baseado quase completamente em vídeos para redes sociais. Foto: Divulgação

Uma das produtoras que já dedica quase 100% de sua mão de obra a formatos totalmente digitais é a Broders. A produtora realiza filmes para marcas como 99 e Nubank, e ainda investe em um núcleo de produções em realidade virtual, outra frente de negócios da empresa.

Rodrigo Furlan, produtor executivo da Broders, explica que a aposta é em um modelo de produção inteligente, que busca dinamizar a mão de obra e o fluxo de trabalho. As entregas de redes sociais costumam ser mais rápidas do que as de filmes para TV, podendo envolver uma série de micro-vídeos digitais para stories, GIFs, uma mini cobertura ao vivo ou até uma campanha para WhatsApp.

“Em uma diária de estúdio, conseguimos extrair centenas de conteúdos que podem ser aproveitados de maneira perene pela marca ao longo da campanha, com os mesmos recursos”, explica Rodrigo. Eventuais filmes horizontais em formatos mais longos, por sua vez, costumam ser entregues ao final do cronograma.

Na Cine Cinematográfica, a produção hoje também é muito mais apoiada no digital. “Nossa entrega final tem muito mais volume em formatos para o digital, especialmente Instagram e Youtube, do que o tradicional 30 segundos para TV”, conta Raul Dória, sócio-diretor da produtora.

Em uma indústria ainda pautada majoritariamente por produções de trinta segundos e um minuto, voltadas para a televisão, a definição de prazos e custo para produções digitais depende de uma avaliação caso a caso.

“Muitos dos pedidos que chegam para nós exigem uma estrutura de produção grande, e neste caso o orçamento acaba sendo adequado ao formato tradicional”, afirma Raul Dória, da Cine. Nestes casos, as entregas são orçadas proporcionalmente à quantidade de formatos e montagens previstas para uma campanha digital.

Campanha da Cine para a Oi, exclusiva para as redes sociais, com a participação de Whindersson Nunes. Foto: Divulgação

Na hora de negociar, cabe ao cliente entender que os custos de pílulas de conteúdo aparentemente simples muitas vezes serão equivalentes a grandes produções.

“Dependendo do roteiro, trata-se de uma produção de grande porte. Os processos são iguais: temos elenco, direção de arte, de fotografia e etc. Precisamos dos mesmos profissionais que usamos para filmes de TV”, afirma Igor Ferreira, sócio e diretor executivo da Corazón Filmes. Ele conta que maior parte da demanda da produtora ainda vem de filmes para TV, em contratos que incluem adaptações para redes sociais.

Em outros casos, os pedidos já carregam um mindset pragmático, onde o dinamismo da entrega vale mais do que uma superprodução. “Pela simplicidade, as entregas e aprovações costumam ser quase imediatas. São materiais que pedem uma estética mais naturalista, sem tantas etapas de confecção”, conta Rodrigo, da Broders.

“Há casos onde a produção é mais simples e curta, e então usamos a criatividade junto à agência para chegarmos a um orçamento que viabilize a campanha”, acrescenta Raul.