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Amazon x Amazônia: o audiovisual no SXSW.

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Por Cassius Cordeiro:

É impressionante a capacidade de network em Austin nesse período, pela primeira vez aqui no SXSW vejo o quanto é propulsor e inspirador andar e ver, que no mundo tecnológico de hoje as revoluções acontecem por minuto, incrivelmente mágico aos olhos, afinal onde você se encontra materialmente com Twitter, Amazon, Netflix, facebook, etc? Em Austin você está andando, literalmente, nas páginas de comunicação do mundo todo. Com toda essa força dos Marks, Jeffs Bezos e novos Musks aparecendo, ver brasileiros aqui trazendo insights e erudição me deixa, particularmente, tocado.

Foi no “Connecting the Hidden Amazon To the World”, painel em que pude ver Fernando Meirelles falando não sobre o seu cinema, a sua obra mas, sobre a Amazônia, onde também vi a euforia da realidade virtual transmutar para a virtual realidade. Fernando ao lado de Claudinete Colé de Souza, Vasco Rossmalen e André D’ÉLia deram uma aula de sensibilidade. Claudinete é quilombola da comunidade Boa Vista no Pará, com uma retórica que não vem só das páginas, mas também da floresta, emocionou a todos com um discurso coerente, querençoso e direto ao ponto, onde eu pude ver claramente uma analogia com Avatar de James Cameron. Nossos protetores estão ali, não são azuis mas têm a mesma cisma que o povo de Pandora tem dos apartados. São eles que, ali na Amazônia, protegem o que é mais sagrado na natureza, Claudinete que brilhava e fazia todos brilharem pelo amor que mostrava verdadeiramente a nossa terra, foi aplaudida de pé.

No final, Meirelles com uma destreza talvez de alguém que andou pela favela cenográfica, por tapetes de Cannes e de Hollywood, agora se sente mais real no tapete verde, usando a sua grande imagem e sua influência inspiradora para olharmos para dentro do que temos e para entendermos de uma vez que a nossa Pandora é tão real, audiovisual e tão análoga a do cinema.

Cassius Cordeiro é Sócio e diretor de cena da Broders